Tom Aspinall não teve condições de continuar na luta após receber uma dedada no olho de Ciryl Gane (Foto: Reprodução/UFC)
A relação entre Tom Aspinall e Dana White atravessa sua pior fase desde que o inglês assumiu o topo dos pesados. O campeão revelou profundo incômodo com a postura do presidente do UFC após a polêmica luta contra Ciryl Gane, em outubro, em Abu Dhabi. O duelo terminou sem resultado ainda no primeiro round depois que Aspinall sofreu uma dupla dedada nos olhos — episódio que desencadeou uma onda de críticas e desconfiança por parte do público.
Durante participação no programa “The Ariel Helwani Show”, o britânico relatou que se sentiu desamparado pelo dirigente. Logo após o ocorrido, Dana White minimizou a gravidade da lesão, sugeriu que Aspinall poderia ter continuado no combate e chegou a indicar que a revanche com Gane seria anunciada em seguida. A fala inflamou torcedores e analistas, muitos dos quais passaram a questionar a integridade do campeão, insinuando que ele teria usado o incidente para evitar uma derrota iminente diante do francês.
Aspinall, claramente contrariado, afirmou que a avaliação pública de Dana White foi precipitada e ampliou o desgaste com a torcida. O britânico ressaltou que o presidente sequer havia conversado com ele antes de dar informações sobre seu estado clínico. Segundo o campeão, isso contribuiu para uma narrativa injusta sobre sua decisão de não prosseguir na luta. Ele também revelou que seu contato dentro da organização ocorre principalmente com Hunter Campbell, e não com White.
“Sim, fiquei um pouco decepcionado, porque ele não tinha falado comigo e já estava dando notícias sobre minha saúde, quando não tinha ideia do que tinha acontecido. (…) Não tenho um relacionamento com Dana. Falo com o Hunter”, declarou.
Após o episódio, vieram as conclusões médicas: Aspinall foi diagnosticado com síndrome de Brown traumática bilateral, lesão que indica ruptura relevante do complexo do tendão-troclear do músculo oblíquo superior — estrutura fundamental para o movimento adequado dos olhos. A condição limita o deslocamento ocular e causa sintomas como dor, dificuldade de foco e visão dupla.
Diante do quadro, médicos recomendaram restrições severas. O lutador está proibido de dirigir até que a visão estabilize e não pode competir até que a diplopia desapareça completamente. Caso o problema persista, podem ser necessárias injeções perioculares de esteroides ou até mesmo cirurgia corretiva. Sem previsão de retorno, Aspinall agora lida não só com a recuperação física, mas também com a turbulência pública gerada após o posicionamento do presidente do UFC.
