Justin Gaethje vai disputar o cinturão interino peso-leve contra Paddy Pimblett no card do UFC 324, neste sábado (24) (Foto: Reprodução/Instagram)
A estreia oficial do acordo bilionário entre o UFC e a Paramount, que passa a valer na prática a partir deste sábado (24), com o UFC 324, em Las Vegas (EUA), marca uma nova fase para a organização, agora totalmente inserida no modelo de streaming e sem o tradicional pay-per-view. No entanto, para Justin Gaethje, um dos principais nomes do card inaugural da temporada 2026, a mudança estrutural não foi acompanhada por benefícios concretos aos atletas do plantel.
Escalado para a luta principal do UFC 324, onde enfrenta Paddy Pimblett pelo cinturão interino do peso-leve, Justin Gaethje utilizou o media day do evento para expor publicamente sua insatisfação. Segundo o norte-americano, apesar do contrato avaliado em mais de 7 bilhões de dólares com a Paramount, não houve qualquer reajuste financeiro para os lutadores, contrariando expectativas criadas nos bastidores após o anúncio da parceria.
A crítica também dialoga com declarações anteriores de Dana White, que havia sinalizado a possibilidade de repartir parte das novas receitas com os atletas, além de comentários feitos por Daniel Cormier, ex-campeão do UFC e atual comentarista da organização. Na visão de Justin Gaethje, a realidade prática ficou distante do discurso otimista apresentado por dirigentes e analistas ligados ao Ultimate.
“Cara, ter 14 bônus (de ‘Performance da Noite’) e isso não totalizar 1 milhão de dólares, isso não é certo. Deveria ser muito mais que isso. Eu deveria ter tido oportunidades para fazer coisas mais inteligentes com meu dinheiro, mas eu não tive. Ainda hoje, eu ouvi Daniel Cormier dizendo que todo mundo vai receber mais neste card. Não estão me pagando 1 dólar a mais do que se esse acordo (com a Paramount) não tivesse acontecido“, afirmou o ex-campeão interino.
O posicionamento de Gaethje reforça um debate recorrente no MMA profissional: a proporção da receita destinada aos atletas em comparação ao faturamento global da organização. Mesmo sendo um dos lutadores mais ativos e premiados da história recente do UFC, o norte-americano sinaliza que o novo modelo de negócios, ao menos neste início, não alterou a estrutura de pagamentos vigente.
O acordo com a Paramount, válido pelos próximos sete anos, extinguiu o pay-per-view e centralizou todas as transmissões ao vivo na plataforma Paramount+. A promessa era ampliar o alcance do produto e estabilizar a receita da organização, mas, segundo Justin Gaethje, a chamada “Era Paramount” começa com um desequilíbrio claro entre o crescimento financeiro do UFC e a remuneração oferecida aos protagonistas que sustentam o espetáculo dentro do octógono.
