Rafaela Silva foi campeã da etapa de Paris do Grand Slam de Judô (Foto: Camila Dantas/CBJ)
A Seleção Brasileira de Judô abriu a temporada 2026 com chave de ouro. No último fim de semana, no Grand Slam de Paris, Rafaela Silva (-63kg) fez campanha perfeita na tradicional competição do Circuito Mundial IJF e garantiu a medalha de ouro da categoria, quebrando um jejum de dez anos sem brasileiros subindo ao lugar mais alto do pódio da etapa francesa. Este foi o primeiro título internacional de Rafa desde que subiu de peso, há um ano, e deve colocá-la pela primeira vez entre as dez melhores ranqueadas do mundo.
Junto com o Grand Slam de Tóquio, a etapa de Paris é o evento mais prestigiado do Circuito Mundial de Judô e um dos mais difíceis, seja pelo alto nível técnico ou pelo calor da torcida francesa que anualmente lota o Palácio de Bercy. Para se ter noção, em toda a história do evento apenas outros quatro brasileiro alcançaram o feito da medalha de ouro: Edinanci Silva (2000), João Derly (2006), Leandro Guilheiro (2010) e Mayra Aguiar (2012 e 2016).
Para chegar à medalha, Rafaela passou por quatro adversárias que estão entre alguns dos nomes mais fortes da categoria. Primeiro, nas oitavas, passou pela italiana Carlotta Avanzado, top 25 do mundo, com um waza-ari no último segundo, e depois, nas quartas, pela holandesa Joanne Van Lieshout, campeã mundial em 2024, também com um waza-ari.
Já na semifinal, a brasileira teve pela frente a japonesa Kirari Yamaguchi, Top 8 mundial, e conseguiu um waza-ari e um yuko para avançar a sua primeira final do Grand Slam de Paris. Na final, Rafaela enfrentou a mongol Enkhriillen Lkhagvatogo, outra atleta Top 10. Nos primeiros 40 segundos de luta, ela aproveitou a oportunidade de trabalhar o ne-waza (técnicas de solo) e fez a adversária bater em uma chave-de-braço bem aplicada. Ippon e medalha de ouro.
“Com certeza é a realização de um sonho. Eu venho buscando uma medalha de ouro no Grand Slam de Paris há muito tempo, e a gente sabe o quão difícil é. Faziam dez anos que o Brasil não chegava com o feminino em uma final aqui, então a gente entende o tamanho da grandiosidade dessa medalha. Estou muito feliz de começar o ano com o pé direito e espero continuar podendo treinar e evoluir meu judô da melhor maneira possível”, comemorou Rafa.
Além da nova medalha de ouro, a brasileira ainda tem outros dois bronzes no Grand Slam de Paris, conquistados em 2014 e 2016. Também foi na capital francesa que, em 2024, ela levou sua segunda medalha olímpica da carreira, com o bronze da equipe mista brasileira.
Atual número 12 do ranking mundial, ela vai poder adicionar mais 1000 pontos à coleção e deve entrar, pela primeira vez, no Top 10 da categoria desde que subiu do -57kg para o -63kg.
