Árbitro se pronuncia após contestação de Alex Poatan e detalha interpretação da regra sobre golpes na parte de trás da cabeça (Foto: Reprodução/Instagram)
As declarações de Alex Poatan após a derrota para Ciryl Gane no UFC Casa Branca geraram forte repercussão no universo do MMA e abriram um novo capítulo na discussão sobre arbitragem. Depois de ser acusado pelo brasileiro de ignorar supostos golpes ilegais no momento decisivo do combate, Herb Dean resolveu se manifestar publicamente e apresentou sua versão sobre o episódio.
Através das redes sociais, o árbitro explicou que sua atuação seguiu a interpretação atual das regras do MMA e aproveitou para esclarecer um ponto que, segundo ele, costuma gerar confusão entre atletas e torcedores: a definição da área considerada ilegal para golpes na parte de trás da cabeça.
Herb Dean destacou que o entendimento aplicado atualmente não abrange toda a região posterior da cabeça, mas sim uma área específica relacionada à nuca e à junção occipital, considerada zona protegida por envolver proximidade com a coluna cervical.
“Posso ver por alguns comentários online que eu devo uma explicação a vocês sobre as regras e como eu arbitrei a luta. Primeiro de tudo, todo meu respeito pelos dois lutadores. Estou falando do Gane e Pereira (…) Vamos falar sobre a regra da parte de trás da cabeça. E é confuso, porque é diferente do Boxe, e a forma como aplicamos essa regra é focando na nuca. Esse deveria ser o nome da regra: nuca ou junção occipital, que também cobre a coluna (…) Isso é o que explicamos nas reuniões de regras. Eu informo que essa área (nuca) é uma falta, proibida. E que esta área (lateral da cabeça), é um golpe permitido. Espero que isso tenha sido útil para vocês e tenha esclarecido as coisas”, explicou.
A fala surge logo após Poatan afirmar que havia alertado o árbitro antes do combate sobre o histórico de Ciryl Gane envolvendo golpes irregulares. O brasileiro também sustentou que parte dos ataques sofridos após o knockdown no segundo round teria atingido uma área proibida pelas regras e influenciado diretamente no resultado.
Apesar da tentativa de esclarecimento, o pronunciamento de Herb Dean não encerrou a discussão. Pelo contrário, muitos fãs seguiram questionando a interpretação aplicada no combate e argumentaram que as imagens da luta indicariam contato justamente na região considerada ilegal.
A repercussão foi tamanha que o árbitro acabou limitando a interação em sua publicação no Instagram. Ainda assim, a discussão continuou em outras postagens e ampliou o debate sobre critérios de arbitragem em momentos decisivos de grandes eventos.
Enquanto isso, esportivamente, o resultado permanece inalterado. Ciryl Gane segue como campeão interino dos pesos-pesados, enquanto Alex Poatan já iniciou conversas com o UFC e busca uma revanche imediata para tentar reverter o desfecho do confronto.

Confira o pronunciamento de Herb Dean na íntegra:
“O card na Casa Branca foi incrível. Não consigo imaginar como poderia ter sido melhor. Posso ver por alguns comentários online que eu devo uma explicação a vocês sobre as regras e como eu arbitrei a luta. Primeiro de tudo, todo meu respeito pelos dois lutadores. Estou falando do Gane e Pereira (Poatan), foi uma luta incrível. Vamos falar sobre a regra da parte de trás da cabeça. E é confuso, porque é diferente do Boxe, e a forma como aplicamos essa regra é focando na nuca.
Esse deveria ser o nome da regra: nuca ou junção occipital, que também cobre a coluna e cobre uma linha bem aqui (aponta para a região), com uma variação de uma polegada para cada lado. Ou seja, bem aqui (centro da nuca). Isso é o que explicamos nas reuniões de regras. Eu informo que essa área (nuca) é uma falta, proibida. E que esta área (lateral da cabeça), é um golpe permitido. Aqui é permitido (lateral), e aqui é uma infração (nuca). Espero que isso tenha sido útil para vocês e tenha esclarecido as coisas. Além disso, vou fazer um outro vídeo contando a história dessa regra e como ela foi criada. Acho que isso pode explicar por que ela (região) está aqui. Acho que tem mais a ver com política. Mas acho que é uma história interessante”.
