Dustin Poirier relata relação com o pai, terapia e admite que vive momento delicado fora dos octógonos (Foto: Reprodução/UFC)
A prisão de Dustin Poirier por embriaguez pública, ocorrida no fim de junho em um aeroporto dos Estados Unidos, expôs um momento extremamente delicado na vida do ex-campeão interino dos pesos-leves do UFC. Sem esconder a gravidade da situação, o americano decidiu explicar os motivos que o levaram ao episódio e revelou que enfrenta uma batalha contra o alcoolismo e a depressão, agravada por questões familiares que o acompanham desde a infância.
Em entrevista ao canal “The Diary Of A CEO”, Dustin Poirier contou que a relação conturbada com o pai teve papel determinante em sua crise emocional. Segundo o veterano, o patriarca convive há décadas com o alcoolismo, perdeu vínculos familiares e atualmente vive em situação de rua. A proximidade do Dia dos Pais fez com que antigas lembranças viessem à tona, desencadeando um episódio de abuso de álcool que terminou com sua prisão.
“Ele (meu pai) arruinou casamento, amizades, família. Ele foi preso muitas vezes por coisas relacionadas à álcool. É um alcoólatra clássico, bem egoísta, e continua com o vício. Ele está sem-teto agora. É como se não quisesse ajuda (…) No Dia dos Pais, estava viajando para o trabalho e não conseguia parar de pensar no meu pai. E daí comecei a beber no aeroporto, foi isso que levou ao incidente”, explicou Dustin.
Poirier também revelou que sua relação com o álcool não é recente. O ex-lutador explicou que buscou ajuda profissional há alguns anos, mas acabou interrompendo o tratamento quando começou a se sentir melhor. Com o passar do tempo, porém, voltou a enfrentar sintomas de depressão e reconheceu que retomou um comportamento que apenas agravou sua condição emocional.
“Tenho feito terapia e coisas do tipo. Há anos, comecei a fazer terapia. Mas quando eu comecei a me sentir melhor, eu parei de praticar tudo que tinha aprendido. E foi quando passei a sentir aquilo novamente, acho que posso chamar de depressão. Eu simplesmente não me sentia bem. Quando me sinto assim, sei que não deveria beber, mas bebo mesmo assim. Meu pai não pode ser uma desculpa. O álcool nunca me fez bem, especialmente em momentos como esse, em que não estou no melhor estado mental”, admitiu o americano.
Aos 37 anos e já aposentado do MMA, Dustin Poirier reconhece que precisa reconstruir sua vida fora das competições. O americano revelou que sequer conseguiu assistir às imagens de sua prisão por vergonha do ocorrido e admitiu que o episódio também trouxe prejuízos profissionais, incluindo a perda de contratos de patrocínio. Agora, longe dos octógonos, o veterano afirma estar focado em retomar o tratamento e superar uma das batalhas mais difíceis de sua vida.
