Atleta do UFC, Danny Silva foi diagnosticado com trombose venosa e múltiplos coágulos após passar mal durante os treinos e admite que ainda não sabe se voltará a lutar (Foto: Reprodução/Instagram)
O lutador do UFC Danny Silva viveu um dos momentos mais dramáticos de sua vida fora do octógono. Escalado para enfrentar o brasileiro Márcio “Ticotô” no UFC Sacramento, marcado para 22 de setembro, o peso-pena precisou ser hospitalizado às pressas após sofrer uma grave embolia pulmonar decorrente de uma trombose venosa extensa. O próprio atleta revelou o ocorrido em um longo desabafo publicado nas redes sociais.
Segundo Danny, os primeiros sintomas surgiram durante a preparação para a luta. A princípio, ele acreditava que havia lesionado uma costela, mas a situação se agravou durante um treino de corrida. Além da dificuldade para manter o ritmo, o americano percebeu um inchaço incomum na região do pescoço e do peitoral, o que o levou imediatamente ao hospital.
Após cerca de nove horas de exames e três dias de internação, os médicos identificaram diversos coágulos sanguíneos. O quadro mais preocupante foi uma trombose venosa de grandes proporções na região do pescoço, que evoluiu para uma embolia pulmonar quando parte do coágulo migrou para os pulmões. De acordo com o relato do atleta do UFC, a equipe médica explicou que seu excelente condicionamento físico foi determinante para que sobrevivesse, já que casos semelhantes apresentam alta taxa de mortalidade.
Futuro no MMA permanece indefinido
Recebendo alta hospitalar, Danny Silva iniciou tratamento com medicamentos anticoagulantes e ficará afastado dos treinamentos e das competições por tempo indeterminado. Diante da gravidade do episódio, o americano admitiu que ainda não sabe se conseguirá retornar ao octógono.
“Esta pode ter sido a minha última dança? Eu não sei. (…) Neste momento, ainda há muito que não sei. (…) Meu pior inimigo sempre fui eu mesmo. Minha mente é forte. É uma droga quando algo fora do seu controle tenta te afastar do seu sonho. Eu não vou desistir. Prefiro morrer tentando”, escreveu.
Sem previsão para voltar às atividades, Danny terá sua recuperação acompanhada de perto antes que qualquer decisão sobre sua carreira seja tomada. Enquanto isso, sua participação no UFC Sacramento está descartada, e a organização deverá anunciar um substituto para enfrentar Márcio “Ticotô” nas próximas semanas.
Confira abaixo a publicação do lutador do UFC na íntegra:
“Esta pode ter sido a minha última dança? Eu não sei. Duas semanas atrás, achei que estivesse com uma costela fora do lugar. Eu continuei forçando o ritmo, como todo lutador faz.
Na sexta-feira, fiz sparring, fiz meus treinos de tiro (sprints) e minha equipe achou que eu estava bem. Eu não queria dar desculpas, mas mencionei que meu braço esquerdo e minha costela estavam doendo. Minha equipe ajudou com ventosaterapia e raspagem (scraping).
Naquela mesma noite, saí para correr às 20h. Fiz 3 milhas (cerca de 4,8 km). Na terceira milha, meu corpo estava pifando. Eu forcei a barra porque não desisto de mim mesmo, e 3 milhas não deveriam ser nada.
Cheguei em casa e havia um inchaço no lado esquerdo do meu pescoço e do peitoral. Um bom amigo meu, que é médico, recomendou que eu fosse ao pronto-socorro para ter certeza de que não estava tendo um ataque cardíaco.
Depois de 9 horas no pronto-socorro, fazendo eletrocardiogramas e tomografias, eles voltaram com péssimas notícias. Eu tinha múltiplos coágulos sanguíneos. Eles encontraram uma trombose massiva em uma veia do meu pescoço, e parte do coágulo se soltou e viajou para o meu pulmão, causando uma embolia pulmonar. Essa notícia mudou minha vida. Passar 3 noites no hospital foi horrível.
O fato de eu ainda estar fazendo sparring e em tão boa forma física só me mostra o quão duro posso ser diante da adversidade. Por estar em tão excelente forma, consegui sobreviver. Eles me disseram que 50% das pessoas não sobrevivem. O fato de eu estar treinando, fazendo sparring e me forçando ao limite pode ter salvado minha vida.
Mas, neste momento, ainda há muito que não sei. Finalmente saí do hospital, mas terei que tomar medicação por alguns meses. Esta não é a primeira vez que passo por um obstáculo.
Meu pior inimigo sempre fui eu mesmo. Minha mente é forte. É uma droga quando algo fora do seu controle tenta te afastar do seu sonho.
Eu não vou desistir. Prefiro morrer tentando, por mais duro que isso soe — especialmente porque cheguei perto de morrer.
Antes de tudo, quero agradecer a todos que cuidaram de mim durante esse momento difícil. Minhas enfermeiras e médicos foram incríveis, e sou infinitamente grato pelo atendimento que recebi. Aos meus amigos e familiares que compareceram, ficaram comigo e nunca saíram do meu lado — eu senti todo esse amor. Todos vocês me deram a força que eu precisava para passar por isso. Peço desculpas a todos os meus amigos, minha família e minha equipe. Gostaria que o resultado tivesse sido diferente. Espero que Deus tenha um plano”.
