Aula de Jiu-Jitsu reunirá fundamentos, estratégia, defesa pessoal e conceitos desenvolvidos por Brigadeiro (Foto: Divulgação)
Radicado nos Estados Unidos há mais de uma década, Eduardo “Brigadeiro” Venâncio estará no Rio de Janeiro neste sábado para ministrar um seminário na matriz da Brigadeiro Jiu-Jitsu, na Barra da Tijuca. Faixa-preta 6º grau formado por Ricardo De La Riva, ele retorna à academia onde desenvolveu parte de um trabalho iniciado há quase quatro décadas e que hoje mantém conexões em mais de 14 países. O encontro será fechado e destinado a convidados.
A aula reunirá fundamentos, estratégia, defesa pessoal e conceitos desenvolvidos por Brigadeiro durante a carreira como atleta e professor. A proposta é trabalhar princípios que possam ser utilizados por praticantes de diferentes graduações, com atenção também à leitura das situações encontradas durante uma luta.
“Quero apresentar princípios que possam ser aplicados por diferentes níveis de praticantes, do iniciante ao faixa-preta, mostrando não apenas o que fazer, mas principalmente por que fazer, quando aplicar e como adaptar cada conceito às características individuais do atleta”, explica Brigadeiro.
A metodologia que será apresentada no Rio acompanha uma mudança na própria maneira como ele passou a enxergar o ensino. Se no início havia maior preocupação com a quantidade de técnicas transmitidas, a experiência levou o professor a concentrar o trabalho na compreensão dos fundamentos e na capacidade de cada aluno utilizá-los de acordo com suas características.
“Com a experiência, entendemos que ensinar bem não significa simplesmente apresentar centenas de técnicas. Significa construir fundamentos sólidos e fazer com que o aluno compreenda distância, base, pressão, alavanca, timing, controle, transições, tomada de decisão e eficiência de movimento”, afirma.
A trajetória de Brigadeiro nas artes marciais começou ainda na infância, primeiro no judô. O contato com o jiu-jitsu ocorreu por meio de Cláudio França e ganhou espaço no Riviera Country Club, também na Barra da Tijuca. Ainda nas faixas coloridas, passou a auxiliar nas aulas e posteriormente assumiu a continuidade do trabalho no local. Durante sua formação, tornou-se aluno de Ricardo De La Riva, de quem recebeu a faixa-preta.
A partir desse trabalho surgiu a Brigadeiro Jiu Jitsu. Ao longo da carreira, o carioca formou mais de 150 faixas-pretas. Entre os nomes que passaram por sua formação está Thaís Ramos, primeira mulher faixa-preta campeã mundial da IBJJF. Como competidor, Brigadeiro conquistou o bronze no Mundial de 1996 e, na categoria Master 3, venceu o Long Beach International Open e o Atlanta Summer International Open em 2016, ano em que também ficou em terceiro no Miami Fall International Open.
No fim de 2015, Brigadeiro mudou-se para a Flórida e iniciou uma nova etapa da carreira nos Estados Unidos. A experiência no país ampliou o contato com diferentes perfis de alunos e ambientes de treinamento. Além do trabalho em academias, ele relata experiências com universidades, atletas e profissionais de segurança pública, incluindo um período de treinamento com uma unidade do FBI em Jacksonville.
A vivência americana também passou a ser incorporada ao método de ensino. Brigadeiro tem formação em Educação Física, Administração e Marketing Esportivo e Treinamento Desportivo de Alto Rendimento e procura combinar essa base com o conhecimento acumulado no tatame.
“Pretendo compartilhar justamente essa integração, o conhecimento tradicional do Brazilian Jiu-Jitsu aliado à metodologia moderna de treinamento, performance e desenvolvimento humano”, diz.
Essa combinação também aparece na maneira como Brigadeiro analisa as mudanças pelas quais o jiu-jitsu passou nas últimas décadas. Para ele, a especialização dos atletas, as novas técnicas e a preparação voltada às regras fazem parte do desenvolvimento competitivo, mas não devem afastar o praticante de elementos que historicamente fizeram parte da modalidade.
“Não podemos ensinar o esporte de 2026 utilizando exclusivamente os mesmos métodos utilizados há trinta anos. Por outro lado, existe uma diferença entre evoluir o jiu-jitsu e perder a identidade do jiu-jitsu”, avalia. “A competição é uma extraordinária ferramenta de desenvolvimento, mas não pode representar todo o sistema.”
Na visão do professor, defesa pessoal, domínio posicional, escapes e controle precisam conviver com o jiu-jitsu de competição. É uma concepção que Brigadeiro divide em três frentes, com a modalidade tratada como arte de defesa, esporte de alto rendimento e instrumento de formação.
O trabalho iniciado no Rio também ganhou dimensão internacional. Segundo Brigadeiro, a organização possui academias, equipes associadas, representantes, parcerias ou projetos em mais de 14 países. Entre os locais citados por ele estão Brasil, Estados Unidos, Portugal, Uruguai, Argentina, Holanda, Marrocos, Inglaterra, Espanha, Noruega, Israel, Austrália e Tanzânia. O professor ressalta, porém, que nem todas essas operações são filiais e que a atual etapa de expansão busca estabelecer um padrão comum de metodologia, graduação e formação de professores.
A formação de novos professores ocupa um espaço particular nessa trajetória. Depois de graduar mais de 150 faixas-pretas, Brigadeiro diz que passou a avaliar seu trabalho também pelo caminho seguido por aqueles que aprenderam com ele e hoje comandam seus próprios alunos.
“Uma medalha representa um momento. Um professor bem formado pode impactar centenas ou milhares de vidas durante décadas”, afirma. “Meu objetivo não é simplesmente produzir bons competidores ou excelentes faixas-pretas. Quero formar pessoas capazes de carregar conhecimento e valores para a próxima geração.”
É parte dessa experiência acumulada no Brasil e no exterior que Brigadeiro pretende levar ao tatame neste sábado, em sua passagem pelo Rio. Para o professor, a intenção é fazer com que o conteúdo apresentado continue sendo utilizado depois do encontro.
“O objetivo é que cada participante saia do seminário não somente com novas técnicas, mas com uma compreensão mais ampla do jiu-jitsu e de como continuar evoluindo depois do evento.”
