Davi Ramos é responsável pela filial da Atos no Rio de Janeiro (Foto: Reprodução)
A Atos Jiu-Jitsu, uma das equipes mais tradicionais e vitoriosas do cenário mundial, vive dias de forte turbulência após acusações de assédio envolvendo seu líder, André Galvão. O caso ganhou repercussão internacional depois que a atleta Alexa Herse, faixa-roxa de 18 anos, publicou um comunicado detalhado anunciando sua saída do time e relatando episódios de conduta inapropriada durante treinos. Desde então, diversos campeões e estrelas da organização comunicaram desligamento do time, ampliando a crise institucional enfrentada equipe.
Em meio ao cenário de incerteza, Davi Ramos, responsável pela filial da Atos no Rio de Janeiro, divulgou um posicionamento público pedindo “cautela” e afirmando que o caso ainda precisa ser devidamente apurado: “Entendo a gravidade do assunto, mas tudo ainda precisa ser devidamente apurado, com ambas as partes sendo ouvidas. Até o momento não há condenação”, declarou o faixa-preta, ressaltando que acusações individuais não devem definir a essência do time.
Davi também declarou que, em anos de convivência com André Galvão, nunca presenciou ou ouviu denúncias semelhantes dentro da equipe: “Durante todo o período em que treinei com ele, jamais recebi qualquer ensinamento ilícito. Muito pelo contrário: aprendi sobre garra, determinação, inteligência e perseverança”, afirmou. Segundo o ex-UFC, a Atos Rio segue protocolos internos e adota o Código de Conduta da organização, com reuniões semanais e orientações claras para professores e colaboradores.
As denúncias, porém, seguem como o epicentro da crise. Alexa Herse relatou que vivenciou, ao longo de seis meses, um padrão de comportamento inadequado, incluindo toques inapropriados e comentários repetidos sobre seu corpo. Em um dos trechos mais fortes de seu relato, a jovem afirmou que procurou Angélica Galvão, esposa do treinador, e teria recebido orientação para permanecer em silêncio: “Ela não só não fez nada a respeito, como me disse para não falar nada e que, se algo está errado, pelo menos tenho que fingir que está certo”.
Enquanto a situação continua sem desfecho oficial, a crise já provoca efeitos concretos na estrutura do time. Atletas como Luiza Monteiro, JT Torres, Gustavo Batista, Lucas Pinheiro, João Bisnaga, Luccas Lira e Rafaela Guedes confirmaram saída nos últimos dias, em uma sequência de comunicados que evidenciam o impacto interno. O próprio André Galvão e sua esposa, Angélica Galvão, estão afastados do cargo de gestão da academia.
