Dana White surpreendeu ao dizer que tem pouquíssima participação em negociações envolvendo contratos e lutas no UFC (Foto: Reprodução/UFC)
O presidente do UFC, Dana White, prestou um longo depoimento em audiências ligadas a dois processos antitruste em curso contra a organização, dedicando mais de duas horas para responder questionamentos sobre sua atuação atual no Ultimate, métodos de comunicação e envolvimento nas operações do dia a dia. A sessão também contou com a participação de Tracy Long, vice-presidente de conformidade e regulamentação de atletas, e teve como foco principal a obtenção de comunicações que os autores da ação buscam incluir no processo.
Durante o depoimento, Dana White reconheceu suas limitações com tecnologia e explicou que só passou a utilizar smartphones após orientação dos advogados do UFC, com o objetivo de preservar dados relacionados ao litígio. Segundo ele, anteriormente utilizava apenas celulares de flip e pretende retornar a esse modelo assim que os casos forem encerrados. A audiência também abordou a forma como o dirigente se comunica e a localização de dispositivos usados no passado.
Questionado sobre seu papel na estrutura atual da companhia, Dana White afirmou que sua atuação mudou de forma significativa desde a venda do UFC para a Endeavor, em 2016, por US$ 4,4 bilhões. Ele explicou que, no período em que a organização ainda pertencia ao grupo liderado por Lorenzo Fertitta, participava diretamente de quase todos os aspectos do negócio, cenário que hoje seria diferente, especialmente no que diz respeito a contratos e negociações com atletas.
Ao tratar especificamente desse tema, Dana White declarou que Hunter Campbell, ao lado de Sean Shelby e Mick Maynard, passou a concentrar as funções ligadas à montagem de lutas e às negociações. Mesmo mantendo conversas por mensagens, ele afirmou que não se envolve mais nos contratos e que costuma redirecionar os atletas aos responsáveis por contratos e negociações de lutas, acrescentando a frase: “Por que eles querem conversar?”. Ao ser perguntado sobre seu nível de participação nesses acordos, foi direto: “Menos que zero”.
O dirigente também minimizou qualquer influência recente em discussões sobre pagamento de lutadores. Segundo ele, “Não me lembro da última vez que me envolvi” nesse tipo de conversa, e reforçou a ideia ao dizer: “Você não encontrará um único treinador ou empresário neste planeta que lhe diga: ‘Negociei um acordo em não sei quanto tempo'”. Sobre a negociação e definição dos confrontos, explicou que sua presença costuma ocorrer apenas na fase final, quando as propostas já estão próximas de serem fechadas.

Outro ponto que chamou atenção no depoimento foi a menção a um telefone desaparecido, que Dana White acredita ter sido roubado por um ex-funcionário descrito como um “faz-tudo”. De acordo com o mandatário, o mesmo funcionário teria sido flagrado em outros furtos, incluindo presentes, e poderia estar ligado ao sumiço do aparelho.
Para Dana White, a hipótese mais plausível é direta: “É a única coisa que faz sentido”. Já Tracy Long afirmou que utiliza e-mail e computador em suas comunicações, mas que, assim como Dana, deixa as decisões finais de acordos a cargo dos responsáveis pela organização das lutas. A expectativa é que novos depoimentos ocorram, incluindo a de Hunter Campbell, nos próximos dias.
