Jailton Malhadinho foi superado por Rizvan Kuniev no UFC Vegas 113 e sofreu seu segundo revés consecutivo (Foto: Reprodução/UFC)
A atuação de Jailton Malhadinho no UFC Vegas 113 gerou forte repercussão entre fãs e profissionais do MMA, especialmente após a derrota por decisão unânime para Rizvan Kuniev, no último sábado (7). O revés marcou o segundo revés consecutivo do brasileiro na organização e expôs dificuldades em impor seu jogo característico de quedas diante de um adversário fisicamente mais robusto. O desempenho, considerado abaixo do esperado para um atleta em processo de consolidação na elite dos pesados, virou tema de debate público.
Entre as análises mais duras esteve a de Gilbert Durinho, que comentou o confronto em seu canal no YouTube e demonstrou clara insatisfação com a estratégia adotada por Malhadinho. Para o ex-desafiante ao cinturão dos meio-médios, faltaram leitura de luta, confiança e, sobretudo, agressividade para mudar o rumo de um combate que ficou travado no clinch e na grade por longos períodos.
Ao contextualizar a expectativa de evolução do compatriota após derrotas anteriores, Durinho afirmou: “Caraca, que situação. Vou falar a real. Quando ele (Malhadinho) perdeu para o (Alexander) Volkov, foi aquela luta chata. Esperava não outro Malhadinho, mas um Malhadinho tipo quando caísse a ficha, que nem caiu para o (Mario) Bautista. O Bautista viu que tem que lutar mais, acabar com a luta, melhorar e melhorou. Esperava essa virada de chave do Malhadinho. O Malhadinho não conseguiu colocar o cara para baixo. O bicho já veio ligado na defesa de queda e tudo bem. O que vai fazer? Malhadinho, espanca esse cara, bate nele no clinch, tenta por para baixo”, analisou Gilbert.
Na sequência da análise, Durinho detalhou como o confronto acabou se tornando previsível e pouco produtivo do ponto de vista técnico, com ambos presos à disputa de força na grade e poucas tentativas reais de mudança de dinâmica. O momento em que Malhadinho passou a arriscar mais golpes, segundo ele, veio apenas quando o adversário já apresentava sinais claros de desgaste físico.
“Não conseguiu? Troca. A luta começou a ficar chata pra caramba, porque o bicho botava o Malhadinho na grade, o Malhadinho tentava derrubar e não conseguia. Ficou aquela luta de grade chata, sem muita coisa. Depois que o cara cansou, o Malhadinho, no terceiro round, começou a confiar mais. Só depois que o cara cansou que ele começou a jogar a mão. O pior, a parada mais bizarra é que ele tem mão. Ele colocou uma mão boa no cara, bateu para caramba, mas só no terceiro round”.
Gilbert Durinho também criticou a falta de senso de urgência nos minutos finais do duelo, avaliando que a tentativa tardia de acelerar o ritmo não condiz com o nível de exigência da categoria e com o histórico recente de resultados do brasileiro. Para Durinho, a postura conservadora comprometeu qualquer chance real de reverter o placar dos juízes.
“No final, os caras fizeram aquilo e falei: ‘Ah, meu irmão, agora? 15 minutos, 14 e pouco não fizeram nada, e em 10 segundos querem fazer? Para, né, brother? Para! Está desonrando o Holloway. Para com isso. Não gostei, não. Acho que faltou um pouco mais de urgência dos dois. Os dois não tinham urgência nenhuma. Os caras não queriam jogar mão nenhuma, nenhum senso de urgência”, concluiu.
Aos 34 anos, Jailton Malhadinho segue como um dos nomes relevantes do peso-pesado do UFC, mas agora enfrenta um momento de ajustes na carreira. Profissional desde 2012 e na organização desde 2022, o baiano soma 22 vitórias – 21 por via rápida, sendo 13 por finalização e oito por nocaute – e cinco derrotas no cartel. Com o novo revés, existe a expectativa do baiano descer para a divisão dos meio-pesados.
