Ronda Rousey deu a entender que Dana White não mostrou muito interesse em seu retorno ao UFC (Foto: Reprodução)
O anúncio do retorno de Ronda Rousey ao MMA surpreendeu o cenário das lutas e revelou bastidores relevantes envolvendo o UFC. A ex-campeã peso-galo confirmou que enfrentará Gina Carano em evento promovido pela “Most Valuable Promotions”, em parceria com a Netflix, mas destacou que, inicialmente, buscou viabilizar o seu retorno dentro do Ultimate.
Em entrevista à “ESPN”, Ronda Rousey explicou que o duelo contra Gina Carano sempre foi tratado como uma exceção capaz de tirá-la da aposentadoria. Ao amadurecer a ideia, “Rowdy” afirmou que sentiu necessidade de concretizar o confronto e, por isso, procurou diretamente Dana White para avaliar a possibilidade de realizar a luta no UFC. No entanto, a negociação não evoluiu, o que levou a ex-campeã a buscar alternativas fora da organização.
“Eu sempre disse que a Gina (Carano) é a única pessoa pela qual eu voltaria a lutar. Quanto mais eu pensava sobre isso, mais eu percebia: sabe de uma coisa? Eu preciso disso. Eu realmente preciso dessa luta. Então entrei em contato com Dana e perguntei se ele teria interesse nisso. Não deu exatamente certo com o UFC, mas isso nos trouxe até aqui hoje. Eu estava grávida de nove meses”, disse Ronda Rousey.

A motivação para o retorno, segundo a atleta, também possui um componente emocional ligado à adversária. Rousey revelou que decidiu avançar com o plano após assistir a uma entrevista recente de Carano, na qual identificou sinais de um momento pessoal delicado. A partir disso, a ex-campeã passou a enxergar o confronto como uma oportunidade de proporcionar um novo propósito à Gina, além de reacender a própria conexão com o esporte.
“Vi um vídeo da Gina Carano dando uma entrevista e ela não parecia bem. Ela tinha ganhado uma quantidade de peso nada saudável. E meu primeiro pensamento foi: meu Deus, o que eu posso fazer para ajudar? Quando eu estive em uma situação parecida, quando estava deprimida e tinha desistido do mundo e de mim mesma, o que eu precisava era de um objetivo e de algo que reacendesse minha paixão novamente. Isso está sendo planejado desde que eu estava grávida, o que já faz mais de um ano. Eu disse a ela que, se eu tivesse que ir lá e treiná-la para lutar comigo, eu faria isso”, relatou Ronda.
Por fim, Ronda Rousey detalhou que o projeto exigiu cooperação entre ambas para superar obstáculos logísticos e contratuais até a oficialização do combate. Mantido em sigilo por longo período, o confronto agora se torna público e representa um dos retornos mais emblemáticos da história recente do MMA feminino, reunindo duas pioneiras que ajudaram a impulsionar a modalidade em nível global.
“E nós fizemos acontecer. Tivemos que trabalhar juntas para superar todos os obstáculos para chegar até aqui. Foi como um segredo por muito tempo. Não acredito que finalmente posso falar sobre isso”, finalizou.
