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Rodrigo Manauara relembra trajetória no Jiu-Jitsu e exalta crescimento do Caxias Combat na Baixada Fluminense

Faixa-preta consolidou carreira como professor e organizador de eventos, criando o principal campeonato de Jiu-Jitsu de Duque de Caxias e região
Mateus Machado 01/05/2026
Rodrigo Manauara vem fazendo um trabalho de destaque com o Caxias Combat, evento que está consolidado na Baixada Fluminense (Foto: Divulgação)

Rodrigo Manauara vem fazendo um trabalho de destaque com o Caxias Combat, evento que está consolidado na Baixada Fluminense (Foto: Divulgação)

A trajetória de Rodrigo Moura, conhecido no cenário da arte suave como Rodrigo Manauara, começou no início dos anos 2000 e teve um rumo diferente daquele imaginado no primeiro contato com o Jiu-Jitsu.

O que inicialmente surgiu como uma ferramenta para defesa pessoal e confrontos acabou se transformando em profissão, carreira e, anos depois, em um projeto relevante para a expansão da modalidade na Baixada Fluminense. Hoje, além da atuação como faixa-preta e professor, Rodrigo é o idealizador do Caxias Combat, evento que ganhou força e se consolidou como uma das principais vitrines competitivas da região.

Ao recordar como tudo começou, Rodrigo Manauara relembra que sua entrada no esporte aconteceu de forma espontânea, motivada por uma visão ainda distante da disciplina e filosofia que cercam o Jiu-Jitsu. Sob orientação de Leandro Goulart, no entanto, encontrou direcionamento dentro e fora dos tatames.

“Eu comecei no Jiu-Jitsu para poder brigar. Eu já era ‘brigão’, então decidi procurar um lugar para fazer Jiu-Jitsu. Eu morava em Belford Roxo, procurei e conheci meu professor, Leandro Goulart. Fiz bons treinos e passei a competir. Com apenas três semanas de treino, fui campeão e gostei. Entrei no Jiu-Jitsu em setembro de 2003 e, em novembro do mesmo ano, meu professor me deu a faixa-azul. Desde então, me dediquei muito e fui ganhando as competições. Entrei no Jiu-Jitsu para brigar e acabou se tornando o meu trabalho”, contou.

A evolução competitiva levou Rodrigo até a faixa-preta, conquistada em 2014, e abriu espaço para uma nova fase como professor e formador de atletas em Duque de Caxias. Durante esse período, ele ampliou sua rede de referências técnicas ao também construir uma relação próxima com Romeu Patrick, nome ligado ao CT Patrick Mendes.

“Sou aluno do Leandro Goulart, da faixa-branca à preta, pela equipe Nova União. Comecei a dar aulas em Duque de Caxias, a partir de 2014. Depois de um tempo, ele parou de dar aulas e eu fiquei sozinho. Tempos depois, um amigo me chamou para um treino na Double Five, na Vila Valqueire. Lá eu conheci o Romeu Patrick, do CT Patrick Mendes, e estive com ele de 2019 até dezembro de 2025. Então, o contato com esses dois professores foi maior, ambos foram muito importantes na minha trajetória. O Romeu atualmente está em Dubai e eu resolvi montar minha própria equipe”.

Já consolidado como professor, Rodrigo passou a enxergar uma carência competitiva na região e decidiu investir em um evento próprio. A ideia começou com lutas casadas e evoluiu para um campeonato estruturado, que atualmente movimenta centenas de atletas por edição.

“Conquistei minha faixa-preta em 2014, e logo depois comecei a dar aula e levar alunos para competir. Montei um time forte de competição e pensava muito em organizar um campeonato. Em 2019, consegui fazer meu primeiro evento, de lutas casadas, com um troféu de vidro. Eu e minha esposa sentamos, fizemos as contas e colocamos para frente, porque esse era um sonho a ser realizado. Fizemos o primeiro e deu certo. Apesar da correria, gostei de organizar o evento e decidimos criar o Caxias Combat. Desde então, fomos melhorando”, afirmou.

Mesmo com o crescimento do evento, a trajetória empresarial e organizacional esteve longe de ser simples. Rodrigo Manauara relata desafios estruturais, dificuldade de captação de apoio e investimentos pessoais constantes para manter o projeto ativo.

“A primeira dificuldade foi colocar em prática, porque já tinham muitos campeonatos na época. Quando eu vi que consegui colocar 300 atletas no campeonato, me deu motivação de ir além. Hoje ainda temos muitas dificuldades, principalmente na questão de apoio. Eu comecei a ter agora o apoio da Prefeitura de Duque de Caxias, além de alguns pais de alunos e amigos, que acreditaram no evento. Com a ajuda deles, as dificuldades foram diminuindo e vieram outros apoiadores. Tudo o que a gente recebe de apoio dos patrocinadores é revertido em premiação para os atletas”.

Apesar das dificuldades financeiras e da ausência de lucro imediato, Rodrigo Manauara afirma que segue motivado pelo impacto que o Caxias Combat gera na comunidade local e pela resposta positiva dos atletas.

“Já pensei em desistir várias vezes, porque financeiramente, não tenho lucro. Eu só estou investindo porque o pessoal está gostando. O evento está maneiro, mas sei que um dia vai dar lucro. Em algumas etapas fico até no prejuízo, mas mesmo assim, levo adiante. No ano passado, a cada etapa que passava, eu pensava em desistir, mas minha esposa e amigos sempre me lembravam do quanto lutei para chegar até aqui. É difícil tirar dinheiro do seu sustento para investir em um campeonato que não dá retorno, mas vamos seguindo”.

Ao analisar a própria caminhada, ele reforça a importância das pessoas que contribuíram para sua permanência no esporte: “Eu olho para trás e vejo minha história. Tive excelentes professores. Muitos amigos e alunos me fizeram não desistir, sempre me apoiaram para continuar. Hoje fico muito feliz em ver o que está se tornando o Caxias Combat. Somos o maior evento de Jiu-Jitsu de toda a Baixada Fluminense e estamos perto de ser um dos maiores de todo o Rio de Janeiro. Isso me dá forças para seguir adiante e buscar mais apoios e patrocínios”, finalizou.

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