Borrachinha admite impacto emocional causado pelo primeiro revés da carreira e pelas críticas recebidas após disputa de cinturão em 2020 (Foto: Reprodução/UFC)
Mesmo após mais de cinco anos da derrota para Israel Adesanya no UFC 253, Paulo Borrachinha ainda trata o episódio como um dos momentos mais difíceis de sua trajetória no MMA. Em participação recente no podcast “Flow”, comandado por Igor 3k, o brasileiro revisitou a disputa pelo cinturão dos pesos-médios e falou de maneira sincera sobre os efeitos emocionais causados pelo resultado negativo diante do nigeriano.
Invicto até então e embalado como uma das maiores promessas do UFC naquele período, Borrachinha chegou ao confronto acreditando que deixaria Abu Dhabi com o cinturão da categoria até 84kg. Porém, dentro do octógono, Adesanya controlou as ações e venceu o duelo por nocaute, encerrando a sequência positiva do mineiro no MMA profissional.
Ao comentar o tema, Paulo admitiu que a derrota teve um peso muito maior do que apenas o aspecto esportivo. Segundo o lutador, lidar com a reação agressiva de parte dos fãs brasileiros após a luta foi um processo complicado, sobretudo porque ele nunca havia enfrentado uma situação parecida na carreira até então.
“Foi devastador (perder para o Adesanya). Porque eu vinha invicto, tinha total confiança que eu poderia vencer. Mas mérito do Adesanya. Não foi fácil (superar a derrota), foi extremamente difícil, foi complexo, foi uma batalha interna. Além do mérito esportivo, tem também a questão dos fãs, porque o pessoal ficou muito decepcionado, principalmente os fãs brasileiros. O fã brasileiro é muito emotivo. Pesou (em mim), porque foi uma enxurrada de críticas. ‘Pô, esse cara nunca foi bom. Fraud check’. Te joga lá embaixo. Eles querem desmerecer todo o resto. As outras 13 lutas não contaram de nada”, revelou o atleta do UFC.
A rivalidade entre Borrachinha e Adesanya ganhou enorme proporção antes do UFC 253. Os dois chegaram invictos ao duelo e protagonizaram uma promoção intensa nas semanas que antecederam o combate. Fora do cage, o equilíbrio na troca de provocações ajudou a aumentar a expectativa do público. No entanto, tecnicamente, o campeão mostrou superioridade durante a luta e neutralizou completamente o estilo agressivo do brasileiro.
Após o tropeço, Paulo Borrachinha também virou alvo de críticas por declarar que havia ingerido vinho na noite anterior ao confronto para conseguir dormir. A justificativa repercutiu negativamente entre fãs e especialistas, aumentando ainda mais a pressão sobre o mineiro. Desde então, a relação entre Borrachinha e parte da torcida brasileira passou por um desgaste considerável.
Apesar do momento turbulento vivido nos anos seguintes, o brasileiro parece ter reencontrado estabilidade competitiva dentro do UFC. Agora atuando nos meio-pesados, Borrachinha vem de duas vitórias consecutivas, incluindo um triunfo expressivo sobre Azamat Murzakanov. A boa fase recolocou o mineiro em evidência na organização e abriu caminho para objetivos maiores na nova categoria.
