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Esquiva Falcão vende sua medalha olímpica e explica a decisão: ‘Realidade dura do nosso país’

Vice-campeão nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, Esquiva Falcão negocia principal conquista para investir na carreira e na família
Mateus Machado 22/04/2026
Vice-campeão nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, Esquiva Falcão negocia principal conquista para investir na carreira e na família (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

Vice-campeão nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, Esquiva Falcão negocia principal conquista para investir na carreira e na família (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

Um dos principais nomes do Boxe brasileiro nas últimas décadas, Esquiva Falcão surpreendeu ao revelar a venda de sua medalha de prata conquistada nos Jogos Olímpicos de Londres 2012. A decisão, anunciada pelo próprio atleta, marca um momento delicado e simbólico em sua trajetória no esporte.

Ao comentar o episódio, o pugilista não escondeu o impacto emocional da escolha. A medalha, considerada o maior marco de sua carreira, representa não apenas o resultado esportivo, mas todo o processo de formação pessoal e profissional dentro do Boxe de alto rendimento.

“Hoje me despeço de um dos maiores símbolos da minha vida: minha medalha olímpica. Minha maior conquista no Boxe. Representa muito mais do que prata, representa a luta de um menino sonhador (…) Estou muito triste com isso, essa decisão que tomei doeu muito. Porque essa medalha carrega parte da minha alma, minha família. Não é apenas uma medalha. Essa decisão me fez refletir sobre uma realidade dura do nosso país. Muitas vezes o atleta olímpico não recebe o devido valor. Mesmo após o pódio, falta apoio, valorização. Vender essa medalha não apaga minha história, porque o verdadeiro valor nunca esteve no metal, e sim em tudo que ela simboliza”, disse Esquiva Falcão.

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A repercussão imediata gerou questionamentos sobre uma possível dificuldade financeira, cenário descartado pelo próprio atleta. Segundo Esquiva Falcão, a decisão foi estratégica e voltada para o futuro, com foco em estruturar melhor sua carreira fora dos ringues.

“Eu não vendi a medalha por dívida financeira. Dívida todo mundo tem, né? Um pai de família com três crianças tem dívidas. Mas esse não foi o motivo da venda. Hoje eu tenho uma reserva, não é muito, mas tenho. Um dos motivos pelos quais eu vendi a medalha foi porque quero abrir a minha própria academia. Hoje tenho uma, mas o lugar é alugado. Além disso, quero dar uma vida melhor aos meus filhos. Quero deixar bem claro também: ninguém vende a medalha porque quer, sempre existe um motivo. Negociamos o valor, não vou falar porque combinamos. Também não vou falar o nome da pessoa, porque não tenho autorização. Mas foi um valor que vai me ajudar muito na construção da minha academia, na base da minha família”, explicou o atleta.

Aos 36 anos, Esquiva Falcão construiu uma carreira sólida tanto no cenário amador quanto profissional. Após o destaque olímpico, migrou para o Boxe profissional em 2014 e acumulou um cartel expressivo, além de ter disputado o título mundial dos médios da Federação Internacional de Boxe em 2023.

O episódio também reacende o debate sobre a valorização de atletas olímpicos no Brasil, especialmente após o ciclo de competições. Mesmo com conquistas relevantes em nível internacional, muitos lutadores enfrentam desafios estruturais para manter estabilidade financeira e investir no próprio legado dentro do esporte.

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