Amit Elor, noiva de Mica Galvão e campeã olímpica, fez forte relato sobre os anos de convivência com Melqui Galvão, que está preso sob investigação de crimes sexuais (Foto: Reprodução)
As repercussões envolvendo as investigações contra Melqui Galvão continuam crescendo dentro do cenário do Jiu-Jitsu. Desta vez, quem se pronunciou publicamente foi Amit Elor, campeã olímpica de Wrestling e noiva de Mica Galvão, filho do treinador investigado por supostos crimes sexuais.
Em vídeo publicado nas redes sociais na última terça-feira (19), a atleta norte-americana fez um forte relato sobre o ambiente vivido ao redor de Melqui Galvão durante o período em que conviveu com o treinador. Segundo Amit Elor, existia uma dinâmica marcada por medo, silêncio e manipulação, afetando diretamente pessoas próximas a Melqui.
“Posso dizer que o ambiente parecia muito manipulador, assustador e confuso. Havia uma cultura de medo, controle e silêncio, que afetou todos ao seu redor. Ele era mal-humorado, imprevisível, manipulador e sexista”, afirmou a campeã olímpica.
As declarações ganharam grande repercussão, principalmente pelo peso do nome de Amit no cenário internacional dos esportes de combate e pela proximidade direta com a família Galvão. Nos últimos dias, outras atletas também vieram a público com relatos semelhantes, descrevendo pressão psicológica, tentativas de silenciamento e comportamentos abusivos no ambiente ligado ao treinador.
Em outro trecho do pronunciamento, Amit pediu cautela ao público antes de direcionar julgamentos automáticos a familiares e pessoas próximas de Melqui. Segundo ela, relações marcadas por manipulação e controle podem afetar profundamente todos os envolvidos ao longo dos anos.
“Na minha opinião, muitas pessoas ao seu redor também foram vítimas de maneiras diferentes, especialmente sua esposa, filho e filha. Eu quero pedir ao público para pensar seriamente antes de tirar conclusões precipitadas sobre todos os conectados à situação. Abuso e manipulação são extremamente complexos, especialmente quando alguém tem poder e controle sobre os outros por muitos anos e até mesmo suas vidas inteiras. Compreensão e compaixão são cruciais”, declarou.
As novas manifestações ampliam ainda mais o debate dentro do Jiu-Jitsu sobre segurança, relações de poder e responsabilidade coletiva no ambiente esportivo. O caso, que inicialmente se concentrava nas denúncias formais contra Melqui Galvão, passou a expor também discussões sobre cultura de silêncio, intimidação e dificuldade de denúncia enfrentada por atletas.
Melqui Galvão segue preso temporariamente em São Paulo, enquanto as investigações continuam em andamento e novos relatos seguem surgindo no decorrer do processo.

Confira abaixo o depoimento de Amit Elor na íntegra:
“Eu gostaria de abordar algumas coisas com tudo que anda acontecendo na comunidade do Jiu-Jitsu. Quero dizer o quão orgulhosa estou de todas as vítimas que tiveram força e coragem para falar. Meu coração se parte por quem sofreu abuso e eu realmente espero que a justiça seja feita, e as vítimas possam começar a se curar e ter algum fechamento.
Ao longo dos anos, eu estava perto dessa pessoa (Melqui Galvão) diversas vezes e, mesmo a partir dessas experiências, posso dizer que o ambiente parecia muito manipulador, assustador e confuso. Havia uma cultura de medo, controle e silêncio, que afetou todos ao seu redor. No dia a dia, as pessoas pareciam condicionadas a não questioná-lo, não recuar e não falar abertamente. Ele era mal-humorado, imprevisível, manipulador e sexista.
Na minha opinião, muitas pessoas ao seu redor também foram vítimas de maneiras diferentes, especialmente sua esposa, filho e filha. Eu quero pedir ao público para pensar seriamente antes de tirar conclusões precipitadas sobre todos os conectados à situação. Abuso e manipulação são extremamente complexos, especialmente quando alguém tem poder e controle sobre os outros por muitos anos e até mesmo suas vidas inteiras. Compreensão e compaixão são cruciais.
Desde o início do meu relacionamento com seu filho, ele tinha controle total sobre todos os aspectos da vida do seu filho, o que significava controle sobre nosso relacionamento também. Ele geralmente só permitia que seu filho me visitasse se ele ganhasse suas competições. As únicas vezes que ele me tratou gentilmente eram quando ele poderia me usar, se isso estava usando minha imagem como atleta para seu benefício, ou me usando como uma ferramenta para manipular seu filho.
Quando visitei o Brasil pela primeira vez, eu competi representando sua academia e ganhei premiação em dinheiro. Ele me disse que eu concordei em doar esse dinheiro para ele, mas eu nunca concordei com isso. Basicamente ele me enganou e usou seu poder para ganhar dinheiro comigo. Essa foi uma das muitas situações que me fez sentir manipulada e impotente.
Quero deixar claro que nunca testemunhei pessoalmente ou sabia de qualquer abuso sexual, mas muitas vezes me sentia profundamente desconfortável e insegura ao seu redor. Ele parecia instável, controlando e intimidando muitas pessoas ao seu redor. Às vezes, eu realmente sentia que não conseguia respirar na mesma sala que ele.
Por meses, enquanto eu estava grávida, fui fortemente pressionada a me mudar para o Brasil e dar à luz lá. Ele me disse que eu estava sendo egoísta e arruinando a vida do seu filho por não me mover, e que se eu realmente amasse seu filho, eu concordaria. Felizmente eu tinha um forte sistema de suporte, que me ajudou a manter minha posição e permanecer fiel a mim mesma. Mas, infelizmente, nem todo mundo tem esse tipo de apoio ao lidar com situações de controle.
Para aqueles que continuam perguntando sobre meu relacionamento com seu filho, ainda somos melhores amigos e estamos focados em criar nosso próprio filho. Ele passou por tantas dificuldades durante toda sua vida e estou fazendo o meu melhor para apoiá-lo em meio a esse momento difícil.
Estou com medo, pode levar muito tempo para curar de tudo isso. As redes sociais mostram apenas uma pequena tração do que as pessoas passam a portas fechadas. Espero que a cura chegue a todos que foram feridos ao longo dos anos e espero que isso leve a mais proteção, responsabilização e o fim de todas as formas de abuso.”
