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Bruno Bastos faz reflexão sobre formação de crianças no Jiu-Jitsu: ‘Não seguir necessariamente os nossos sonhos’

Bruno Bastos destaca o papel da arte suave na formação de crianças e adolescentes, mas critica a antecipação de cobranças por profissionalização
Mateus Machado 01/07/2026
Bruno Bastos com o filho João Bastos no Brasileiro de Jiu-Jitsu Kids (Foto: Dai Bueno)

Bruno Bastos com o filho João Bastos no Brasileiro de Jiu-Jitsu Kids (Foto: Dai Bueno)

O Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu Kids, realizado no último mês de junho, em Barueri (SP), reuniu centenas de jovens talentos e também abriu espaço para reflexões importantes sobre o desenvolvimento esportivo entre crianças e jovens no esporte. Entre os nomes presentes no evento esteve Bruno Bastos, um dos treinadores mais respeitados da atualidade, líder da equipe LEAD BJJ e radicado nos Estados Unidos, que acompanhou seus atletas e também crianças envolvidas em projetos apoiados por sua equipe no Rio de Janeiro.

Em entrevista ao Recorte da Luta, Bruno Bastos aproveitou o ambiente da competição para abordar um tema cada vez mais debatido dentro da arte suave: o limite entre incentivo e pressão no processo de formação de crianças e adolescentes. Para o experiente faixa-preta, o crescimento do Jiu-Jitsu competitivo trouxe benefícios importantes, mas também aumentou situações em que pais e professores acabam projetando expectativas excessivas sobre jovens atletas antes mesmo que eles tenham maturidade para decidir o próprio futuro.

“Estou aqui acompanhando a galera de todos os projetos que temos no Rio de Janeiro e também trouxe três alunos dos Estados Unidos, contando com o meu filho João. Eu vejo que tem uma ênfase muito grande de pais e professores meio que forçando a criançada a ser profissional, esquecendo o fato deles serem crianças. Por exemplo, os meus filhos, João e a Maria. A Maria, ano passado, estava aqui no Brasileiro Kids, foi campeã, mas esse ano nem está competindo. Ela continua treinando Jiu-Jitsu, é uma ferramenta importantíssima para ela, mas ela está jogando futebol, participa de um clube nos Estados Unidos e está jogando uma liga, indo bem. Acredito que a veia competitiva do Jiu-Jitsu ajuda muito ela nesse sentido. O intuito não é forçar ela e deixá-la à vontade para fazer o que gosta”, explicou Bruno.

Para ilustrar sua visão, Bruno Bastos apresentou justamente a realidade vivida dentro da própria família. Enquanto sua filha atualmente divide o Jiu-Jitsu com outras atividades esportivas, seu filho demonstra uma relação mais intensa com a modalidade e já acumula resultados expressivos em idade precoce. Ainda assim, o treinador reforça que desempenho esportivo e rotina competitiva não podem substituir experiências fundamentais da infância.

“O João hoje em dia respira Jiu-Jitsu. Ele vai fazer 13 anos e ganhou a seletiva do ADCC, o Europeu Kids… Ele ainda é muito novo, mas já acorda antes das 5 da manhã, faz os treinos da manhã com os adultos, preparação física, vai para a escola e estuda em tempo integral, depois volta para a academia e já chega em casa à noite. Mas ele continua sendo uma criança, joga futebol, joga videogame com os amigos e também tem sua rotina de criança. Eu não sei o que meus filhos e os jovens que eu treino vão ser quando se tornarem adultos, mas hoje o Jiu-Jitsu é uma ferramenta para elas se tornarem pessoas que vão galgar o mais alto nível no que quer que escolham. Tudo depende do caminho que a vida for tomando”, pontuou.

Ao ampliar a discussão para além dos tatames, Bruno Bastos defendeu que o papel dos adultos deve ser o de orientar sem transformar sonhos pessoais em obrigações para os mais jovens. Para ele, o Jiu-Jitsu possui enorme potencial de formação de caráter, disciplina e competitividade saudável, mas perde parte do seu valor quando passa a representar apenas uma cobrança por resultados ou a obrigação de se tornar um atleta profissional.

“Acho importante a gente estar sempre encorajando as crianças a seguirem seus sonhos, e não seguir necessariamente os nossos sonhos. Acho que alguns pais e alguns professores, por motivos diversos, colocam nas crianças expectativas que eles têm ou tinham para eles. Não esqueçam que eles são crianças e jovens, que estão formando ainda todo o processo de escolha que vão fazer para a vida. O Jiu-Jitsu é, sim, uma ferramenta muito poderosa, mas que tem que ser usada da maneira correta. Temos que estar sempre encorajando os jovens a seguirem os objetivos deles. Se for dentro do Jiu-Jitsu, ótimo. Eu amo o Jiu-Jitsu, mas é algo além do esporte. O Jiu-Jitsu também pode encaminhar eles para serem bem sucedidos no que quer que eles queiram fazer”, finalizou.

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